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Parada da diversidade em Petrolina

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A parada da diversidade em Petrolina traz consigo a marca da alegria e do respeito. O que vimos foi uma multidão que, independente da orientação sexual, celebrava o amor. Esse amor se exprimia de várias formas. Desde o beijo ou carinho dos casais, passando pela alegria das drags, as mães levando os filhos para ver a parada, as cofraternizações de amigos, até na senhora que foi levada pelos netos adolescentes pra ver de perto toda a forma de amor.
A segunda edição do evento coloriu as ruas do centro e deixou pra traz o ranço do preconceito comum em todo país e fortalecido aqui pelo aspecto interiorano. Com isso não quero dizer que findaram-se as ofenças gratuitas e o desamor daqueles que temem o diferente, que se sentem intimidaos por tal. No entanto percebo um avanço significativo no campo do debate sério, à luz da razão. No campo do debate de gênero e sexualidade as mulheres já avançaram bastante em institucionalizar políticas públicas e garantir uma legislação que ampare suas demandas, enquanto que os homoafetivos ainda brigam por garantir o mínimo de respeito e de direitos que deveriam ser garantidos num estado laico.
A pretensão de uma suposta supererioridade heterosexual cai por terra diante do evento vivenciado na cidade. Uma celebração composta em grande parte por heteros que compreendiam o valor do respeito ao direito do próximo. Uma caminhada pela paz e em paz.
Em tempos onde a igreja católica reafirma o atraso com o recente discurso medieval do papa onde condena a diversidade em troca de dogmas já superados até pelo senso comum, esse encontro é vital pra reascender a chama da igualdade de direitos mesmo entre os desiguais e reafirmar Milton Nascimento quando diz que: "Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar... "

A cidade não para

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


Moro em Petrolina, Sertão Pernambucano, uma cidade de interior Margeada pelo rio São Francisco e um dos maiores pólos de agricultura irrigada do país.
Há pouco mais de um mês estava com meu irmão no trânsito e pegamos um congestionamento que fez com que perdêssemos cerca de uns 25 minutos parados na Avenida Guararapes. Um leitor desavisado, oriundo de uma cidade grande vai dizer "E daí, eu perco horas no trânsito da minha cidade e vem essa chorando por meia horinha".
E ele vai estar absolutamente certo, é pouco tempo mesmo, comparado ao trânsito das grandes cidades, no entanto essa meia horinha de conversa com meu irmão serviu para fazer uma reflexão sobre uma cidade interiorana que se vê, repentinamente, as voltas com problemas das grandes cidades
Temos hoje, segundo o último censo, 293.926 habitantes. Esse número significa um aumento de 26% desde o censo de 2000. A imensa maioria dessa população (74,6%) se encontra na área urbana, uma vez que nossas principais fontes de renda vem do setor de serviços e da Agropecuária que aqui possui uma característica diferenciada, uma vez que temos um grande número de empresas instaladas para a exploração da agricultura irrigada e que utilizam o trabalho de homens e mulheres que fazem diariamente o trajeto setor urbano-setor irrigado.
O aumento de investimentos no setor irrigado e a busca por áreas que alcancem níveis de desenvolvimento mais acelerados e mais postos de trabalho, entre outros fatores, geraram o acelerado processo de aumento populacional e a demanda de investimento em equipamentos públicos e infraestrutura de suporte ao mesmo.
Temos uma noção mais concreta desse crescimento se o compararmos ao de algumas capitais da região. Nessa mesma década cidades como Salvador e Recife cresceram 8% cada e Aracaju 19%. A cidade de São Paulo cresceu 7,5% desde 2000. 
Infelizmente, na contramão do adensamento populacional, o volume de investimentos em áreas como transporte, saúde, educação e saneamento é cada vez mais insuficiente.
Todo esse contingente populacional, que vê em Petrolina a possibilidade de melhores condições de vida sem ter que sair do Nordeste ou do seu estado natal, é negligenciada.
No meio da conversa ele sugeriu que escrevesse sobre isso no blog, eu gostei da ideia, mas, como sempre preguiçosa, fui adiando. Hoje entrei numa overdose produtiva, aquela fase que te dá vontade de fazer tudo e, repensando a proposta, fui pensar no formato. Achei por bem dividir em áreas, senão vira uma salada, o post fica monstruosamente extenso e ninguém entende nada. Tenho a sincera esperança de levar a cabo a missão, caso a preguiça volte, por favor, cobrem...
Percebi que o melhor é fazer uma série de posts com o que eu avisto daqui, dessa margem do Velho Chico e seguir Chico Science quando dizia que " Ilusora de pessoas de outros lugares, a cidade e sua fama vai além dos mares. E no meio da esperteza Internacional a cidade até que não está tão mal. E a situação sempre mais ou menos. Sempre uns com mais e outros com menos"
É amigos, a cidade não para. Vamos em frente!!!
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Em tempo: Agradecimento especialíssimo às palavras da querida Gildenize sobre o bloguinho. São esses comentários que me renovam o ânimo pra escrever e massageiam o ego. #AmoMuito

Critica de Agrônomo à administração do Parque Josefa Coelho

sexta-feira, 11 de março de 2011

Reproduzo texto do agrônomo Emílio Luiz extraído do blog do jornalista Carlos Britto http://www.carlosbritto.com

Leitor do Blog denuncia (outra vez) abandono do Parque Josepha Coelho

O Engenheiro Agrônomo e leitor do Blog, Emílio Luiz, nos escreve um artigo relatando o criminoso abandono do Parque Josepha Coelho em Petrolina. Pelo visto a cidade inteira já viu osso. Menos a Prefeitura.

Leiam:

Gostaria de sugerir aos secretários municipais, vereadores, prefeito, entre outras autoridades da nossa cidade, que abram um pequeno espaço de tempo nas suas atribuladas agendas e façam uma visita ao único parque que existe na nossa cidade, o parque Josefa Coelho.

Lá, eles poderão observar “in loco”, o total abandono que vive o que poderia ser um dos cartões postais de Petrolina. Alambrados dos campos de futebol desmoronando, plantas que morreram por falta d água, lixo por todos os lados, pistas de caminhada esburacadas, campos de futebol que, devido aos buracos, viraram piscina nessa época de chuvas, entre outros.

Mas tudo isso passa alheio ao poder público municipal, que se faz de cego para os problemas. Certo dia encontrei com um assessor de um vereador da situação e comentei com o mesmo a situação do parque, e ele me respondeu que outras pessoas já haviam feito essa reclamação, e que ele pessoalmente foi ao parque, e não viu nada anormal (o oftalmologista dele deve ser o mesmo que está no cargo mais alto do poder público municipal).

O que mais chama a atenção é que Petrolina se auto intitula “Capital da Irrigação”, mas o que vemos é uma área urbana desprovida de áreas verdes. Temos abundância de tecnologia para irrigação, água, fertilizantes, técnicos, mas o poder público é incapaz de usar isso em prol de um bem comum, porque nem um simples sistema de irrigação existe no parque. Só ainda restam árvores, graças às chuvas do final de 2010 para cá, porque várias delas pereceram durante o período da estiagem.

Em meados de 2004, havia um projeto nessa cidade chamado “Adote o Verde”, que no primeiro momento contou com 80 estudantes, que ajudavam a plantar espécies nativas em praças, ruas e avenidas da cidade. Esse projeto visava, além da preocupação com o meio ambiente, desenvolver nas crianças e adolescentes a chamada “consciência ecológica”. Mas esse programa, nos últimos anos, pelo que vemos, foi abandonado pelo município.

Um índice (discute-se se este foi estabelecido pela ONU) sugere 12 metros quadrados de área verde por habitante para que haja equilíbrio entre a quantidade de oxigênio e gás carbônico. Se incluirmos todas as atividades com combustão (indústria, tráfego, atividades domésticas) este índice se eleva para 75 metros quadrados por habitante.

Praticamente todas as cidades brasileiras acusam menos de 5 metros quadrado por habitante, portanto, elas são deficientes em áreas verdes, fato que se explica pela falta de conhecimentos da importância das áreas verdes por parte das autoridades. Entretanto, temos exceções, como Goiânia, que é considerava a cidade mais verde do país, com 0,8 árvores por habitante, ou 94 metros quadrados de mata verde por habitante. Só para comparação, Edmonton no Canadá, que é mais verde do planeta, tem 100 metros quadrados por habitante.

Arborizar, não é só plantar, mas seguir um cronograma de atividades de manutenção, cabendo ao órgão público criar os meios que viabilizem a sua execução. Agora, como já está mais que provado que o poder público de Petrolina é incompetente na arte do gerenciamento, fica a sugestão de oferecerem ao governo do Estado à administração do parque Josefa Coelho, assim como já entregaram a administração do Hospital e a realização do carnaval da cidade.

Emílio Luiz

Engenheiro Agrônomo

Petrolina – PE