sexta-feira, 29 de julho de 2011




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A Ana

sábado, 23 de julho de 2011

Todo mundo entra de férias achando que vai fazer tudo; viajar, se cuidar, mudar de ares.

As férias servem pra gente como uma espécie de enriquecimento instantâneo e imaginário.

Esse enriquecimento, pra 90% dos trabalhadores brasileiros só dura até a gente de fato entrar de férias e perceber que as contas, a casa e a família não te dão férias junto com o trabalho.

Esse ano tive que enfrentar algo que me pareceu ainda mais triste: estava de férias de um trabalho mas não do outro e sem dinheiro pra passar um pôr do sol na ilha do Rodeadouro.

Acontece que férias de professor coincidem com férias de aluno e, eis quem também estava de férias: A Ana.

A Ana é minha sobrinhada, a filha da irmã que ou você batiza ou cria a terceira guerra mundial em proporções ainda mais devastadoras, uma vez que o campo de batalha é a sua casa. Eu argumentei, não precisava ser madrinha, já era tia e ela poderia agregar outra amiga nesse posto tão relevante. Como vocês já perceberam, eu perdí o embate, batizei A Ana.

A Ana é a única neta, a única sobrinha então é a única em tudo. Quando A Ana nasceu eu me lembro de acordar todas as madrugadas ao primeiro miado daquele serzinho, pra apanhá-la no berço e levar até minha irmã recém operada. Eu, um bicho preguiça ambulante que à época durmia 12 horas por noite, acordava num pinote e, sem reclamar, ia correndo até o berço dela.

Quando minha irmã se separou ela tinha dificuldades em fazer Ana dormir até descobrir que eu ao niná-la com de Menininha de Maria Rita ela dormia serena, num piscar de olhos. Fui eu quem primeiro deu papel e tinta pra Ana rabiscar, quem comprou o primeiro livro, quem tentou ensinar alguma coisa de música (boa).

A Ana foi crescendo e meu trabalho e responsabilidades para com o mundo e com ela também. A correria cotidiana constrói labirintos e mesmo estando no mesmo espaço não conseguimos, verdadeiramente nos encontrar.

Eu estava tão preocupada com a escola, com a segurança e todas as coisas que a cercavam que deixei em segundo plano o principal: A Ana.

Essas férias nos trouxeram de volta uma pra outra. Me ví saboreando as tardes de toneladas de DVD's de desenho animado com pipoca, as brincadeiras esquecidas, a bagunça na sala, dormir juntas e ler uma história, os passeios, as festinhas de criança, cada sorriso e abraço.

A Ana iluminou os dias e a casa. Com isso não quero dizer que foi tudo um mar de rosas. Não, como toda criança ela dá trabalho, e como dá, posso jurar que até mais do que a grande maioria.

Só que a doçura dos momentos bons compensam tudo mesmo.

Esses dias tenho reencontrado muita gente, há tempos esquecida e que ressurgem, vidas prontas, pacote fechado, casamento, filhos. Via de regra eles me perguntam se eu já casei. Costumo dizer que quero encontrar soluções, não problemas, kkk. Eles continuam: Mas você não quer ter filhos, não sente falta.

A isso eu, com um sorriso guardado no canto da boca respondo sempre: Eu tenho A Ana!!!

Pra quem não conhece segue, ao som de Ana Cañas, ela, primeira e única: ANA!!!