sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


Empossada nova diretoria do Sinpro Pernambuco

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


Reproduzo artigo extraído do site do SINPRO - http://www.sinpro-pe.org.br/base/2011/12/16/empossada-nova-diretoria-do-sinpro-pernambuco/
Com presença massiva dos professores, e prestigiada por autoridade da política pernambucana, representantes de entidades sindicais e dos movimentos sociais, foi empossada oficialmente, na noite desta sexta-feira (16/12), a nova diretoria do Sindicato dos Professores no Estado de Pernambuco – Sinpro PE. No total 57diretores, que representam a chapa Renovação e Luta, eleita com 3.134 votos no último dia 17, assumem a gestão que se estende de 2012 a 2014 com respaldo da categoria, que lotou o auditório do evento realizado na própria sede da entidade.
Direto de São Paulo o presidente nacional da CTB, Wagner Gomes; veio especialmente à atividade da entidade, que em seu último congresso – realizado em junho, em Garanhuns – aprovou filiação à Central Sindical. “É uma honra para CTB estar participando da posse da nova diretoria do Sinpro, que sabemos ser comprometida com a luta dos trabalhadores e com as bandeiras dos professores brasileiros e pernambucano. E muito nos orgulha também em tê-los como filiados da nossa Central”, comemorou.
O Secretario de Ciência, Tecnologia Desenvolvimento Econômico, José Bertotti, também saudou os novos diretores empossados. “Ter os movimentos sociais organizados fortalece a luta dos trabalhadores. É preciso cada vez mais mobilizar os professores em busca dos interesses da categoria”. Quem compartilha da idéia é o Deputado Estadual Luciano Siqueira, que enxerga na nova gestão um momento de renovação da entidade, importante para o momento político nacional. “Tenho expectativa e convicção de que esta segunda gestão vai reforçar mais ainda a atividade do sindicato, que tem se pautado por uma postura classista,  além de lutar pelos interesses específicos da categoria que representa e que o faz muito bem na luta para mudar o destino do país”, declarou.

Emocionado, o novo Coordenador Geral do Sinpro PE, Jackson Bezerra, saudou a presença de todos e fez uma retrospectiva das lutas cotidianas da entidade, do compromisso com a categoria e da expectativa para a nova gestão. “Juntos, reerguemos esta entidade e a auto-estima dos professores pernambucanos. Garantimos conquistas a partir de muito suor. Temos hoje, após um período de muita luta, um Sinpro forte, valente e pautado na luta de classes. Na nova gestão, o desafio é aproximar ainda mais a entidade da sociedade e devolver a dignidade aos trabalhadores”, disse.
Também marcaram presença na posse da nova diretoria do Sinpro PE a Secretária de Etnia da Contee, Nara Texeira, o Secretário Estadual da CUT, Paulo Rocha, a Deputada Federal Luciana Santos, o Presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), Thauan Fernandes, o presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas, Alesson Barbosa, a Supervisora Técnica do Dieese em Pernambuco, Jaqueline Natal e o Superintendente Adjunto do Ministério do Trabalho e Emprego, Jeferson Lins. Após a solenidade, os convidados foram recepcionados por um Buffet.

Vídeo da festa dos professores do SINPRO 2011


Segue o vídeo da festa dos professores do SINPRO do ano de 2011. 
O Sinpro Pernambuco realizou a maior comemoração do dias dos professores da história da categoria. Foi no dia 15/10, na Casa de Zé Nabo, no Prado, Recife-PE. Ao som de Geraldinho Lins, os professores dançaram muito forró, frevo e caboclinho.  É a gestão Renovação e Luta fazendo mais pela categoria.

Deixa chover...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Não tem jeito, é chover e essa música vir à cabeça. 
Dentro do peito tem um fogo ardendo que nada, nunca, nada vai apagar!
Deixa chover...
Lindo dia à tod@s. 
Bjins

Desejos de ano bom

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Fim de ano, segue minha lista de desejos pra um ano bom, que virá, pra todos nós...


Desejo manhãs radiosas de sol,
Beijos na chuva,
Amor de primavera,
Andar a cavalo,
Piquenique no parque.
Banho de rio,
Ver o pôr do sol à dois,
Dormir de conchinha.
Ler muitos (e bons) livros,
Muita música pra alegrar a vida e marcar os dias,
Ter sempre muitos amigos à volta.
Sentir prazer no que faz e vontade de fazer sempre mais,
Brincar com uma criança sem hora marcada,
Ter um bichinho pra fazer carinho e não se sentir só
Ver o voo de uma borboleta livre no céu.
Assistir um filme e tomar um vinho com quem ama,
Sentir-se repleto pelo calor de uma lua cheia dourada no céu,
Poder ver a beleza única de um céu estrelado,
Todos os sorrisos que aquecem o coração da gente.
Tomar sorvete na tarde quente e se lambuzar inteira,
Comer chocolate sem culpa, deliciando-se com cada pedacinho.
Falar besteira, porque seriedade demais faz mal pro coração e pra alma.
Ver o mar, o vai  e vem das ondas e o azul infinito,
poder respirar fundo e sentir-se repleto de paz,
Carinho, afago, abraço apertado e cafuné,
Beijo, porque beijo cura todo mal.
Lutar pelo justo e certo, ser correto com todo mundo,
Usar a verdade como bandeira por dias melhores.
Olhar nos olhos e ver a verdade do amor compartilhado.
Experimentar a magia que só a sincronicidade de almas é capaz.
Andar livremente sentido o vento bater no rosto e despentear os cabelos,
Amar perdidamente e ter amor de volta porque nada melhor do que o encontro na vida.
Ser feliz, por que felicidade está em estar, ser e sentir cada momento e ter dele o melhor que se pode dar!
Se tudo isso não for suficiente, deitar na grama e olhar as nuvens no céu. Elas sempre passam, se desfazem em chuva e voltam de um jeito diferente. Cada ciclo um novo ser. Assim como a gente deve ser.
Na dúvida é só seguir a música porque "tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".
Muita vida pra todo mundo!!!


Todo o Sentimento

terça-feira, 13 de dezembro de 2011



Amo essa música desde não sei quando. Toda vez que eu ouço, congelo automaticamente.
Descobri ontem que é parte da trilha sonora de A Vida Da Gente.
Essa é uma versão de Elba Ramalho, que eu acho incrível.
Tem algumas das mais belas frases já escritas.
Precisa dizer mais???
Segue letra e vídeo de Todo O Sentimento, de Chico Buarque, na voz de Elba Ramalho...



Todo o Sentimento
Chico Buarque

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Coragem!!!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Boa tarde à todos!!!

"A Vida é uma colcha de retalhos"

"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..."

Mário Quintana


Saudades é quando a gente sente falta de tudo aquilo que a gente queria ter e não tem.
Às vezes é do que a gente já teve.
 A infância tranquila e feliz, as brincadeiras, a liberdade de falar qualquer coisa boba na adolescência e poder ser boba, afinal, era a adolescência. Saudade das gentes que passaram mas ficaram sempre presentes, porque quem a gente ama mesmo nunca passa.
Às vezes a gente tem saudades do que nunca teve.
As conversas longas e verdadeiras, os banhos de chuva, as noites inesquecíveis, aquele show incrível que você nunca foi, a viagem que você sempre quis fazer, o amor ou a vida que você sempre quis viver.
Sabe, essa é a saudade que mais me assusta...
Tudo o que eu já tive eu resgato de mim, faço um telefonema, mando uma mensagem, vejo uma foto, um objeto ou releio uma carta antiga.
Mas e aquilo que eu não tive, como resgatar?
Antigamente eu passava muito tempo pensando nisso. Sabe quando a saudade chega a doer e você não tem em quê se agarrar?
Isso mudou um pouco.
Sempre penso que não tenho como resolver o irresolvível. Sabe aquela lógica do que não era pra ser?
Acredito que o equilíbrio está em se desvencilhar das lembranças sem história ou história sem lembranças, sei lá...
Tento ver o que eu tenho e a partir daí construir novas histórias.
Vivi tempo demais vivendo de saudades do que sempre quis ter e não tive.
É difícil se propor a construir o novo. Sempre dá uma vontade de poder refazer as coisas, acertar mais um pouquinho aqui, outro pouquinho ali. E pensar nisso sempre nos levanta a tão temida pergunta de como tudo teria sido se eu tivesse feito aquilo diferente.
Chegou o tempo das grandes mudanças, elas chegaram sem que eu percebesse e me organizar em meio a todas elas é bastante forte.
Não me lembro de me assustar com as mudanças nem na época da faculdade. Escolher o que fazer pro resto da vida foi até bem fácil pra uma pessoa indecisa como eu.
Só que o "resto da vida" chegou, é hoje, e vai seguir por um bom tempo. 
Crescer é complicado, né?
Não o "crescer" sair da adolescência, se fazer ou mostrar mais madura. Esse crescer que muda tudo de um jeito que parece definitivo é o que assusta. 
Comecei falando de saudades, termino falando em crescer... 
Acho que esse é só um post desabafo de alguém confuso que queria respostas, que descobre que como dizia a canção "infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer" e que espera, sinceramente, que a vida tenha levado no rumo certo, no fim é isso que todo mundo quer e o que de fato importa.
O resto deixa que o tal futuro resolve...
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Em tempo: O título do Post é outra citação de Mário Quintana. Fazer o quê se o cara é bom???

Outubro. Mês contado em música

sábado, 5 de novembro de 2011

Oia nóis travez!
Apareci pra postar a Playlist de Outubro.
Como todos sabem, Outubro é um mês muito importante, é o meu mês.
Cada música tem um motivo ou uma história, transmitem meu mês em versos e acordes.
Achei a listinha bem bacana, Começa com o Adriana Calcanhoto (fruto de um show memorável) e encerra com meu amado Vinicius de Morais e sua sugestiva Minha Namorada, além de contar com as queridíssimas contribuições afetivas de Léo Lino em Pro dia nascer feliz e de Jussara Barbosa em Garotos. O resto é meu mesmo, kkkk. Espero que gostem. Eu amei... Inté...


Vidas inteiras – Adriana Calcanhoto
Quando fui chuva – Maria Gadú
Barcarola do São Francisco – Geraldo Azevedo
Refrão de um bolero – Engenheiros do Havaí
O chamado – Marina Lima
I don't wanna dance  - Lady Linn
Bela flor - Maria Gadú
Feminíno frágil - Sílvia Machete
Inverno - Adriana Calcanhoto
Cantada (depois de ter você) - Adriana Calcanhoto
Pro dia Nascer Feliz  - Barão Vermelho e Cazuza
Garotos – Kid Abelha
Ela faz cinema - Chico Buarque
Um homem também chora – Gonzaguinha
Serra do Luar - Leila Pinheiro
Who knew - Maria Gadú
A natureza das coisas - Flávio José.
Minha namorada - Vinicius de Morais

A flor e o espinho


Lindíssima música de Nelson Cavaquinho. Eu amo, acho de uma sensibilidade incrível. Com uma animação simples mas bacaninha e na voz da diva Roberta Sá...

O Inesperado

domingo, 23 de outubro de 2011

"Vai que me espera com boas notícias o inesperado"
 Adriana Calcanhoto
Eu sou péssima pra lidar com o inesperado.
O inesperado sempre estraga tudo.
Não chego a ser neurótica, planejar os mínimos detalhes, me irritar com pequenas mudanças. É o grande inesperado que me aborrece, aquele que desfaz as boas coisas da vida.
Logo antes do meu aniversário passei alguns dias acalentando o sonho de viajar. Seria a primeira vez que o faria, nessa época, para meu deleite pessoal. Já o havia feito outras 2 vezes, ambas pela necessidade da militância.
Dessa vez não, eu ia pra um lugar bacana, com gente bacana, tomar vinho, banho de cachoeira e dormir sob as estrelas e à luz da lua cheia. 
Sabe lá o que é isso???
Não? Nem eu...
Pois bem, lá vem o tal inesperado, sempre traiçoeiro, estraga tudo!
A tal da militância me faz ter que ir à Recife, sem cachoeira, só chuva, pra reuniões e assembléias sem fim. Aqueles que me conhecem podem avaliar a má vontade com a qual me pus a caminho. Toda e qualquer programação seria horrível, eu queria que fosse, era essa programação que me impedia de estar em outro lugar.
Qual nada! Fui a duas festas e nelas tive a rara oporrtunidade de ver gente que compartilha a dor e a delícia de ser o que é e, ainda sim, é feliz. Conhecí pessoas incríveis, ví coisas impublicáveis, estreitei amizades valiosas e, de repente, me surpreendi me divertindo.
Aquilo me soou tão estranho que parei e pensei um pouco: Peraí, as cachoeiras, pessoas, vinhos e lua continuaram lá.
Por mais que aquilo me fizesse bem (e certamente faria), o fato de não ter dado certo não tem que, necessariamente significar o fim da festa.
Viver não é uma rota cartesiana, viver é parte de uma aventura, saber receber o novo ajuda a facilitar a vida.
O novo pode ser bom ao seu modo e nos fazer bem também.
Essa é mais uma das lições dos 28 anos. Não que eu não já tivesse me deparado com ela antes, mas agora ela é plenamente absorvida por mim. Faz parte do plano serenidade que eu venho fazendo.Tenho desejado muita clareza e serenidade, discernir joio de trigo, estabelecer meu lugar no espaço e, a partir daí, poder exercer plenamente o que eu sou, o que me move, o que me faz feliz.
Quanto a viagem, ainda a acalento. Sei que não será a mesma coisa, posso não dormir à luz da lua cheia, as pessoas podem estar mais mobilizadas em cuidar de suas próprias vidas, mas, no dia em que ela vier, se ela vier, será muito bem vinda e me trará alegrias, mesmo que sejam pequenas gotas.

Vamos à vida. Que venha o novo!

Capitães da Areia

Essa semana tive o prazer de voltar ao cinema pra assistir ao lindo filme de Cecília Amado, Capitães da Areia. 
O filme é baseado no livro homônimo de seu avô, o sempre imortal Jorge Amado.
Devo começar já dizendo que super recomendo. 
Uma das primeiras cenas é a de Vida Boa com uma baiana do acarajé, onde, depois de alguns gracejos, somos brindados com um só podia ser da Bahia. Capitães é assim, só podia ser da Bahia.
O filme se passa na Salvador da década de 30, mas bem que poderia se passar nos dias atuais. Trata de um grupo de garotos que ora oscila encena a maturidade precoce da vida nas ruas, ora revela seu lado infantil nas brincadeiras entre sí. Um forte exemplo disso se dá no tocante a prática da capoeira, esporte que se confunde entre a brincadeira dos meninos e a arma para se livrar da polícia ou resolver suas questões com outros grupos de garotos.
O chefe do grupo é o famoso Pedro Bala, O guardião das regras do trapiche, aquele que por mais que cometa delitos jamais poderia ser o anti-herói. Pedro é uma espécie de lider e pai, responsável por proteger todos os garotos de rua, como aparece num dos diálogos finais do filme. Ao seu lado, como uma espécie de conselheiro, Professor, aquele que entende das letras e que, sem saber, costura toda a trama. É por meio de Professor que Bala conhece Dora, uma menina que mesmo com pouca idade demonstra muita firmeza e é, junto com seu Pedro, responsável pelos mais belos momentos do filme.

Fico na dúvida se Capitães é uma história de amor ou de luta. Aliás, nem fico, posto que, devido ao desenrolar da história (que eu não pretendo contar pra não estragar a surpresa alheia), percebemos que o que fica é a história de Pedro Bala, malandro, ladrão, no entanto fiel seguidor de um código de conduta tão firme que poria muitos cidadãos ilibados no chinelo. Esses capitães são forjados pela luta pela sobrevivência, fato evidente na cena em que Bala afirma não serem filhos de chocadeira ou na que Sem Pernas diz que não tem saudades de apanhar dos pais.
O que fica, amigos, é uma história forte, linda, de um menino que virou um capitão de um barco de meninos-homens, um Peter Pan com seus meninos perdidos, sem o glamour da disney, só com a dura realidade das ruas e muitos sonhos para acalentar.
Um conselho: Assistam e se deixem emocionar...



sábado, 22 de outubro de 2011

Outro dia estava ouvindo Seu Jorge. Gosto muito de Seu jorge, acho que tem uma voz super marcante e um repertório muito maneiro. Sinceramente não sei fazer uma critica apurada sobre ele, mas tem umas músicas que, se tocam eu fico, automaticamente paralisada. Tem umas 2 músicas dele que figurariam, fácil, entre as minhas10 mais. Tá, exagero, mas entre as 15 mais com certeza! Resolvi fazer um top 5 de músicas dele. Segue...

1. Seu olhar
Top das tops. Linda demais. Acho essa letra do c@#$@%&*, com o perdão da má palavra. Viajo em cada frase.

2. Cuidar de mim
Por uma razão qualquer eu sempre me arrepio ouvindo essa música, não sei o motivo, mas se me toca, é boa.

3. São Gonça
Essa é a Música de Gizélia. Traz um monte de memórias sentimentais.

4. Tive razão
Gosto dessa música só pela introdução, sem mais...

5. Quem não quer sou eu
Tenho ouvido um bocado, acho super melodiosa e com uma letra bacana...

Fiquem com o vídeo de Seu olhar pois Temos rotas a seguir, podemos ir daqui pra o mundo...



Por que eu acredito...

"Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito."
Renato Russo


Gostaria de dizer que sim
Eu acredito na felicidade
Eu acredito em gente de bem
Eu acredito em política e em pensamento positivo
E acredito que todos podem mudar, de algum jeito, o mundo.
Acredito que as manhãs da primavera são as mais bonitas do ano
Que o pôr do sol existe pra nos mostrar quão grandiosa é a natureza
Que um banho de rio cura tudo
Que a maldade humana será revertida contra aqueles que a praticam
Que minha imperfeição servirá como norteadora daquilo que eu preciso melhorar
Que as ilusões, assim como os sonhos, nos ajudam a moldar o que seremos no futuro.
Tenho me recusado a não acreditar, a me prender no que há de pior.
Acredito que para cada pessoa ruim, haverão tantas outras melhores que tornarão nossas vidas mais bonitas
Sei que o bom humor é uma das coisas mais admiráveis
Que saber agradecer um novo dia é incrível
Que é nas coisas mais simples que reside a beleza
Tenho fé no homem, nas gentes, na capacidade transformadora do amor e da boa vontade.
Me recuso a crer que o mal possa vencer
Sobretudo tenho fé que a minha fé no mundo me ajude sempre a ser mais forte, superar as angústias, ver sempre o nascer e o pôr do sol, ter a felicidade infantil de tomar banho de chuva e não me deixar abater.
Eu irei sempre além...
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Para Paloma, minha querida Parellita, pra que ela, eu e todo mundo não nos esqueçamos que a fé nas coisas e pessoas tem um poder transformador.

Relíquias sentimentais

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Por um motivo qualquer dei pra repensar o mundo agora. Logo eu, ser extremamente falho...
Deve ser o tal do inferno astral. Eu não sou desse povo viciado em astrologia que se chova ou faça sol a culpa vai ser do signo. Também não ignoro tudo. Tenho uma vastidão de amigas todas do mesmo signo, completamente diferentes na intensidade, mas com algo sempre em comum.
No entanto isso de inferno astral me pega, é impressionante. É uma montanha russa. Vou do mais radiante bom humor a mais profunda melancolia em fração de segundos. E a tal hipersensibilidade? Um caos...
Mas voltando ao centro da questão, nesse período imediatamente anterior ao meu aniversário fico pensativa. Reavalio o ano, toda a minha vida e aguço minha observação das coisas a minha volta. Parte disso, e otras cositas más, me fizeram escrever o último post e me dar um desejo imenso de escrever esse.
Essa semana eu recebi meu primeiro presente desse aniversário, essa caixinha aí em cima.
Quem me conhece bem sabe que eu me afeiçoo pelas coisas. Um monte de gente vai dizer, que louca, se prende ao material, mas não é isso, absolutamente. 
Eu sou extremamente carente de gente e de afeto (Admito!). Cada momento bom me dá automaticamente o desejo de prendê-lo pra que sempre que eu precise eu vá lá e cate de volta pra aquecer um pouco o coração. Assim sendo vinculo tudo a música, como já disse, mas tenho a necessidade da materialidade das coisas. Tenho no meu quarto um acervo de pequenas relíquias inestimável. O primeiro bilhete do cinema, da primeira viagem sem meus pais, os cartões postais, o poema num guardanapo, o desenho da família que fiz na EMBRAPA e no IBGE, a primeira agenda, a letra da música preferida do primeiro paquera, o primeiro crachá de congresso, tudo!
Lembro até hoje do primeiro presente de aniversário ao qual eu me apeguei. Lembro que tinha 4 anos (é, eu lembro) e ganhei um bambolê, que passei dias só brincando com ele. No entanto o que guardei desse aniversário foi a velinha que mantinha guardada até 2 anos atrás. Aquele aniversário minha madrinha fez meu bolo e como eu sempre quis saber tudo, ela me disse que era de outra criança. Fiquei tão feliz quando vi que era pra mim. Como viemos embora, aquela velinha era uma parte dela comigo.
Todos os presentes que mais me senti bem em dar foram aqueles que eu mesma fiz. O valor financeiro é quase nenhum mas me fizeram mais plena. Junto a cada pincelada, costura, cola ou traço ia um pouco de cada lembrança doce que eu tinha com aquela pessoa. 
Quantas vezes a gente fica pensando no que queria ter, em quanto de dinheiro precisa gastar, tudo bobagem. 
Uilma, a amiga que me deu a caixinha (Muito obrigada, mais uma vez), costuma dizer que nós não temos dinheiro mas que, ao nosso modo somos muito felizes. Como quase sempre, ela está certa. Ontem estava com Aninha em casa e fomos ver as aberturas dos desenhos animados que eu assistia. Só a graça da descoberta de que eu assistia aos Smurfs "dela" quando eu era pequena já valeram a pena. 
É assim, cada segundo, pequeno gesto, palavra, carinho que realmente fazem a vida valer a pena.
Quanto a caixinha, que já faz parte das minhas relíquias sentimentais, decidi que esse ano ela vai servir como um baú das minhas relíquias. Cada momento bom desse ano vai pra caixinha, seja como um pedaço de papel, uma flor seca, ou um verso de amor.
Espero, sinceramente, que ela seja pequena. Tenho muito a melhorar em mim nesse caminho entre os 28 e os 29 mas tudo o que eu tenho de bom já tem seu lugar cativo na caixinha e em mim. Só espero que os bons momentos sejam tantos que eu precise de mais umas 3 caixinhas dessas pra juntar, que todos os que eu amo estejam sempre comigo e que cada dia eu consiga com que todos saibam o quanto eu sou grata por me encherem dessas relíquias, pedacinhos de amor que eu guardo como parte do que me faz feliz.

Amo-vos!!!
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PS: Por favor perdoem esse momento super meloso, juro que depois do dia 17 eu volto ao normal, que não é tão diferente assim, mas é bem menos clichê e que poupa vocês da overdose se açúcar que eu venho pondo nos posts. Perdoem...

O belo

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Tenho pensado muito em como damos importância a determinadas coisas.
Conversando com algumas amigas sobre pessoas, vi que a gente dá um enfoque todo especial a coisas que nem sempre são tão importante, ou são, mas pros outros.
O topo da lista é a beleza. O belo movimenta as pessoas. Se vemos algo que achamos belo somos , automaticamente atraídos por aquilo. Seja um quadro, uma cena cotidiana, uma pessoa, enfim, a beleza mobiliza.
Tenho dificuldade com a beleza. Tenho uma amiga que, se vê algo que ela julga belo, faz de tudo para ter. Uma vez vimos juntas um par de sapatos lindo, perfeito pra mim e do jeitinho que eu vinha procurando. Eu não quis comprar, estava muito caro e bemmm acima do meu orçamento, além do quê estávamos viajando, enfim, não tinha como comprar.
Acho que nunca a vi ser tão enfática como naquele dia. Ela simplesmente não entendia o motivo pelo qual eu não comprava o tal sapato.
Já eu, não entendia o motivo de tanto estardalhaço, era só um sapato bonito, eu tinha vários outros, alguns tão bonitos quanto, outros nem tanto, aquilo não era tão importante pra mim.
É isso que me assusta no belo. Toda a comoção que ele gera.
Quase sempre esquecemos que a beleza é muito relativa. Aquilo que prende a minha atenção pode não prender a da pessoa do meu lado.
Tem o dito popular que diz que “O feio bonito lhe parece”. Acho que é isso. Bonito mesmo é o que te faz bem, te engrandece de algum modo, soma pontos na sua evolução como gente.
Acho que a beleza é algo muito perigoso, mas não sou uma louca que ignora o que meus olhos apreendem. Só tento ver além.
Tá, eu sei, parece conversa mole, e é mesmo, mas não seria muito melhor se pudéssemos ir além dos estereótipos, ver além. Conheço algumas pessoas que eu acho muito bonitas e que são capazes de coisas impensáveis. Conheço muita gente que passaria longe da capa da Vogue e, no entanto tem tanto a nos dizer. Mas, sobretudo, conheço gente bonita, por todos os ângulos que se olhe, seja na capa que nos reveste e se apresenta como cartão de visitas para o mundo, seja naquilo que trazem em si. Essas pessoas nem sempre tem uma beleza extraordinária, às vezes tem, mas são as que fazem os dias mais iluminados.

No fundo tudo isso é só um ponto de vista meio torto mesmo e, sim, um pouco conversa mole. Vamos em frente!!!

Cantando a gente faz história


"Cantando agente inventa.

Inventa um romance, uma saudade, uma mentira...
Cantando a gente faz história.
Foi gritando que eu aprendi a cantar:sem nenhum pudor, sem pecado.
Canto pra espantar os demônios, pra juntar os amigos. Pra sentir o mundo, pra seduzir a vida."
Cazuza



Oi pessoas,
Eu costumo dizer que tenho uma memória musical.
Tudo e todos que me cercam eu costumo associar automaticamente a um som. Assim eu costumo sentir voltar sempre os bons momentos que tive quando ouço novamente a música.
Hoje, mais cedo, acompanhando uma corrente do Facebook eu ouvi a música de abertura de um dos meus desenhos animados favoritos e, automaticamente, revivi todos os momentos daquele ano em que eu voltei tão esbaforida, morta de ansiedade pra ver mais um episódio. Cada festinha, as paqueras da escola, os amigos, as viagens, tudo.
Ainda ontem eu falava sobre isso com uns amigos. Tenho vício por música e por redes sociais o que fêz com que em setembro publicasse algumas músicas no Facebook e, ao mesmo tempo,baixava no meu celular. Acho que saiu uma boa playlist. Seguem as músicas:

Lugares Proibidos - Helena Elís
Do lado de cá - Chimaruts
Quando amanhecer - Vanessa da Mata
Isso - Chico César
Primavera - Maria Betânia
Mais que isso - Ana Carolina

Pronto, final de outubro tem mais, e esse mês é especial, meu aniversário e o show de Adriana Calcanhoto, mas esse já é assunto pra um outro post...
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Em tempo: Caros 11 leitores que compõem minha dúzia de fieis compartilhadores desse espaço, esse é um post com dono, Léo Lino, companhia de altos papos no Face (e muita bobagem, claro!) e bonitão da vez. Favor não reparar e nem ter ciúmes, hahaha, já já voltaremos a nossa rotina normal. Promessa feita, promessa cumprida. Proximo assunto, escola de inglês Whatahell (Not, hahahahahaha).

O mal do século

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Essa semana uma amiga me disse que eu era da geração do mal do século do Romantismo. Admito, ela tem toda razão. Sou Dramática, exagerada, levo tudo muito a sério e fico neurótica com tudo. Só não sou tão erudita. Paciência, ninguém é perfeito, né???


Segue poema da época, Amor e medo, de Cassimiro de Abreu. Pronto, agora vocês podem dizer se parece comigo, kkkkk. Bjos








Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
— "Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"


Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair cias tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...

Minha aldeia

terça-feira, 27 de setembro de 2011


"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura..." Fernando Pessoa

Lembro da minha chegada a essa cidade. Eu era apenas uma menina que não entendia o motivo de abandonar meu chão, a terra dos meus pais, amigos, escola, família, toda uma vida por trilhar em caminhos já conhecidos em nome do que pra mim, então, era apenas um devaneio.
Tenho fortemente guardado em minha memória o dia que saí da minha cidade. Acordei cedo, fui até o quintal, subi no pé de seriguela do muro e chorei. Olhava todo o quintal, revia as brincadeiras e os sonhos compartilhados alí, com minhas amigas. Depois fui até a casa da última de quem faltava me despedir. Minhas três melhores amigas estavam lá. Elas choravam. Eu quis chorar também, mas não pude. Quis por um segundo guardar aquela cena, nós juntas, um todo.
Lembro meus pais me dizendo que aqui tudo seria diferente, melhor. Lembro também dos primeiros dias, das privações, do medo de sair às ruas, da escola nova.
Eu, um bicho do mato, achava essa cidade monumental e, como tudo o que é bem maior que nós e nosso mundo, perigosíssima.
Minha Primeira amiga da escola só virou minha amiga depois de querer me bater. Meu novo grupo debatia até o jeito como eu amarrava meu tênis e como falava. Eu era uma estranha e aprender a sobreviver na selva não foi fácil.
Mas eu consegui, fiz amigos, viajei, lutei, comprei brigas e venci grande parte delas. Entrei na universidade, algo impensável no meu caminho em Belém. E foi nessa época em que eu mais vivi. Sonhei, amei, sofri, chorei(e como eu chorei), amadureci.
Aprendi a amar pessoas, lugares.
Tive que, por necessidade, aprender a conhecer cada canto dessa cidade, suas gentes, seus ritos.
E irremediávelmente me apaixonei por ela!!!
Hoje consigo entender o que meus pais diziam. Não esquecí minhas origens e sei que foi a partir delas que solidifiquei minha base, mas foi aqui que me forjei a mulher que hoje sou.
Não consigo imaginar como seria minha vida sem os 16 anos em que vivo aqui. Possivelmente teria vivido uma vida tacanha. Também não gosto da idéia de viver longe daqui, mesmo que à distância de um cruzar da ponte.
Hoje vejo esse chão e me sinto tão pertencente a este lugar quanto seus demais 293.925 habitantes e sinto um extremo orgulho de fazer parte disso tudo.
Por tudo isso e pelo amor infindável a essa cidade, parte pulsante de mim, um vídeo com algumas das coisas que mais amo e que avisto daqui do alto da minha aldeia.

"E a poesia só espera ver nascer a primavera..." Vinicius de Morais

É primavera!!!
Poderia dizer da beleza da estação, dos dias quentes e ensolarados mas sem aquele calor escaldante de morte. Podia falar das flores e borboletas nos jardins, das cores a se espalhar por tudo, mas não...
Queria mesmo falar é da sensação que me invade a cada novo começo de primavera. É como a música onde as boas novas andam nos campos.
Primavera me remete, irremediavelmente, ao mito de Perséfone e Hades e, por quê não dizer, de Deméter. Pra mim é assim, essa sensação da volta do amor que Deméter sente quando sua filha volta do hades para passar metade do ano com ela, que eu sinto. É ver tudo a sua volta se colorir em festa pra essa chegada. É a vontade de ficar o dia todo, todos os dias ouvindo música bacana, lendo Vinicius de Morais e sonhando com os votos de amor jamais sonhados.
É a alegria dos bichos e o canto dos passarinhos a cada manhã de sol. É o nascer do sol no Rio São Francisco. É o insano desejo de amar o mundo e receber amor de volta e uma preguiça danada de amar o mundo.
É a esperança renascida, o começo de um radioso ciclo, beijar na chuva, ver um rosto se iluminar ao sol.
É um sopro profundo de vida.
Eu, Vanessa, nasci na primavera. Não podia ser diferente.
É nela que abro minhas asas ao sol.
Pra mim não é a toa que essa seja a época de maior inspiração para as paixões (sem contar com o carnaval, claro!), é como se tudo estivesse apaixonado sem ter por quê ou por quem.
E eu, cá no meu canto sigo, celebrando a primavera, as cores,  as flores e cheiro de amor que elas deixam pelo ar...

Segue o texto que eu queria ter escrito mas que é de Cecília Meireles

                                                        Foto: Fabrício Francisco
Flor de Mandacaru

Primavera
Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Parada da diversidade em Petrolina

A parada da diversidade em Petrolina traz consigo a marca da alegria e do respeito. O que vimos foi uma multidão que, independente da orientação sexual, celebrava o amor. Esse amor se exprimia de várias formas. Desde o beijo ou carinho dos casais, passando pela alegria das drags, as mães levando os filhos para ver a parada, as cofraternizações de amigos, até na senhora que foi levada pelos netos adolescentes pra ver de perto toda a forma de amor.
A segunda edição do evento coloriu as ruas do centro e deixou pra traz o ranço do preconceito comum em todo país e fortalecido aqui pelo aspecto interiorano. Com isso não quero dizer que findaram-se as ofenças gratuitas e o desamor daqueles que temem o diferente, que se sentem intimidaos por tal. No entanto percebo um avanço significativo no campo do debate sério, à luz da razão. No campo do debate de gênero e sexualidade as mulheres já avançaram bastante em institucionalizar políticas públicas e garantir uma legislação que ampare suas demandas, enquanto que os homoafetivos ainda brigam por garantir o mínimo de respeito e de direitos que deveriam ser garantidos num estado laico.
A pretensão de uma suposta supererioridade heterosexual cai por terra diante do evento vivenciado na cidade. Uma celebração composta em grande parte por heteros que compreendiam o valor do respeito ao direito do próximo. Uma caminhada pela paz e em paz.
Em tempos onde a igreja católica reafirma o atraso com o recente discurso medieval do papa onde condena a diversidade em troca de dogmas já superados até pelo senso comum, esse encontro é vital pra reascender a chama da igualdade de direitos mesmo entre os desiguais e reafirmar Milton Nascimento quando diz que: "Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar... "

A cidade não para

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


Moro em Petrolina, Sertão Pernambucano, uma cidade de interior Margeada pelo rio São Francisco e um dos maiores pólos de agricultura irrigada do país.
Há pouco mais de um mês estava com meu irmão no trânsito e pegamos um congestionamento que fez com que perdêssemos cerca de uns 25 minutos parados na Avenida Guararapes. Um leitor desavisado, oriundo de uma cidade grande vai dizer "E daí, eu perco horas no trânsito da minha cidade e vem essa chorando por meia horinha".
E ele vai estar absolutamente certo, é pouco tempo mesmo, comparado ao trânsito das grandes cidades, no entanto essa meia horinha de conversa com meu irmão serviu para fazer uma reflexão sobre uma cidade interiorana que se vê, repentinamente, as voltas com problemas das grandes cidades
Temos hoje, segundo o último censo, 293.926 habitantes. Esse número significa um aumento de 26% desde o censo de 2000. A imensa maioria dessa população (74,6%) se encontra na área urbana, uma vez que nossas principais fontes de renda vem do setor de serviços e da Agropecuária que aqui possui uma característica diferenciada, uma vez que temos um grande número de empresas instaladas para a exploração da agricultura irrigada e que utilizam o trabalho de homens e mulheres que fazem diariamente o trajeto setor urbano-setor irrigado.
O aumento de investimentos no setor irrigado e a busca por áreas que alcancem níveis de desenvolvimento mais acelerados e mais postos de trabalho, entre outros fatores, geraram o acelerado processo de aumento populacional e a demanda de investimento em equipamentos públicos e infraestrutura de suporte ao mesmo.
Temos uma noção mais concreta desse crescimento se o compararmos ao de algumas capitais da região. Nessa mesma década cidades como Salvador e Recife cresceram 8% cada e Aracaju 19%. A cidade de São Paulo cresceu 7,5% desde 2000. 
Infelizmente, na contramão do adensamento populacional, o volume de investimentos em áreas como transporte, saúde, educação e saneamento é cada vez mais insuficiente.
Todo esse contingente populacional, que vê em Petrolina a possibilidade de melhores condições de vida sem ter que sair do Nordeste ou do seu estado natal, é negligenciada.
No meio da conversa ele sugeriu que escrevesse sobre isso no blog, eu gostei da ideia, mas, como sempre preguiçosa, fui adiando. Hoje entrei numa overdose produtiva, aquela fase que te dá vontade de fazer tudo e, repensando a proposta, fui pensar no formato. Achei por bem dividir em áreas, senão vira uma salada, o post fica monstruosamente extenso e ninguém entende nada. Tenho a sincera esperança de levar a cabo a missão, caso a preguiça volte, por favor, cobrem...
Percebi que o melhor é fazer uma série de posts com o que eu avisto daqui, dessa margem do Velho Chico e seguir Chico Science quando dizia que " Ilusora de pessoas de outros lugares, a cidade e sua fama vai além dos mares. E no meio da esperteza Internacional a cidade até que não está tão mal. E a situação sempre mais ou menos. Sempre uns com mais e outros com menos"
É amigos, a cidade não para. Vamos em frente!!!
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Em tempo: Agradecimento especialíssimo às palavras da querida Gildenize sobre o bloguinho. São esses comentários que me renovam o ânimo pra escrever e massageiam o ego. #AmoMuito

Inverno

domingo, 28 de agosto de 2011

No dia em que fui mais feliz

Eu ví um avião

Se espelhar no seu olhar até sumir



De lá pra cá não sei,

Caminho ao longo do canal

Faço longas cartas pra ninguém

E o inverno no Leblom é quase glacial



Algo que jamais se esclareceu

Onde foi exatamente que larguei

Naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei



Lá mesmo esquecí que o destino

Sempre me quis só

No deserto sem saudades, sem remorso, só

Sem amarras, barco embriagado ao mar



Não sei o que em mim

Só quer me lembrar

Que um dia o céu reuniu-se a terra um instante por nós dois

Pouco antes do ocidente se assombrar



Adriana Calcanhoto

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ah, não posso deixar de agradecer o comentário afetuoso da @Jussara_PE.

Amiga queridíssima, que sempre passa por aqui pra fazer um afago a essa que vos posta.

E o comentário via Twitter tão afetuoso quanto do @Peca2011

Muito obrigada, sempre!!!

O CHICO



Em dívida com o bloguinho, decidi postar um vídeo de Se eu soubesse, de Chico Buarque com participação de Thaís Gulin no novo cd CHICO.


A princípio ia apenas postar o vídeo mas acabei sucumbindo a tentação de dizer o que achei do cd que, diga-se de passagem, não para de tocar no meu player.


Obviamente ressalto que corre léguas de mim o desejo de fazer uma crítica musical, não tenho envergadura pra tanto, são apenas pequenas impressões de uma apaixonada por música e por Chico o que, por sí só, já denota o quão tendencioso é esse post.


Achei o cd bem leve, delicadinho mas com algumas marcas musicais interessantes, como na sua Rubato, uma marchinha bem humorada sobre amor e música e em Tipo um baião que tem uma quebra de ritmo gostosa. A dulcíssima Nina, uma valsinha, levemente melancólica. Sem você2 que dá uma lembrada na bossa nova e seria a sequência da outra, de Tom e Vinícius . Essa pequena, um blues-declaração de amor. Barafunda, um sambinha do esquecimento, quase uma biografia confusa, Sou eu uma regravação de uma parceria com Ivan Lins que também já foi gravada por Diogo Nogueira (muito bom) e chegou a ser o título do cd deste e Sinhá a mais engajadinha, por assim dizer, que lembra bem o rítmo de um afoxé e tem letra que diz da paixão de um escravo e uma branca e as consequencias desse amor.


Pra mim esse é um CD apaixonado, simples assim. Eu acho que tem referências em grande parte das músicas à um certo boato, à uma certa mulher. Mas as músicas poderiam ser lidas por vários casais como "a sua música". O vídeo abaixo certamente será "adotado" por um sem fim de amantes arrependidos, tardiamente, do primeiro flerte.


Chico tem essa marca, de envolver a gente, de nos fazer parte, do 'Como eu não pensei nisso antes' imediatamente seguido do 'Só podia ser Chico Buarque'.


Acho o cd despretensioso, músicas curtas, temas banais, quase monotemático.


Mas afirmar essa intenção ou um cd declaração seria querer entender Chico e eu não ouso tanto, mas ouço esse presente de coração aberto e um leve sorriso esboçado no canto da boca.




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P.S.: Ouçam também o Diogo Nogueira e a Thaís Gulin. Eu tenho ouvido e gostado, cada um na sua praia...

sexta-feira, 29 de julho de 2011




A Ana

sábado, 23 de julho de 2011

Todo mundo entra de férias achando que vai fazer tudo; viajar, se cuidar, mudar de ares.

As férias servem pra gente como uma espécie de enriquecimento instantâneo e imaginário.

Esse enriquecimento, pra 90% dos trabalhadores brasileiros só dura até a gente de fato entrar de férias e perceber que as contas, a casa e a família não te dão férias junto com o trabalho.

Esse ano tive que enfrentar algo que me pareceu ainda mais triste: estava de férias de um trabalho mas não do outro e sem dinheiro pra passar um pôr do sol na ilha do Rodeadouro.

Acontece que férias de professor coincidem com férias de aluno e, eis quem também estava de férias: A Ana.

A Ana é minha sobrinhada, a filha da irmã que ou você batiza ou cria a terceira guerra mundial em proporções ainda mais devastadoras, uma vez que o campo de batalha é a sua casa. Eu argumentei, não precisava ser madrinha, já era tia e ela poderia agregar outra amiga nesse posto tão relevante. Como vocês já perceberam, eu perdí o embate, batizei A Ana.

A Ana é a única neta, a única sobrinha então é a única em tudo. Quando A Ana nasceu eu me lembro de acordar todas as madrugadas ao primeiro miado daquele serzinho, pra apanhá-la no berço e levar até minha irmã recém operada. Eu, um bicho preguiça ambulante que à época durmia 12 horas por noite, acordava num pinote e, sem reclamar, ia correndo até o berço dela.

Quando minha irmã se separou ela tinha dificuldades em fazer Ana dormir até descobrir que eu ao niná-la com de Menininha de Maria Rita ela dormia serena, num piscar de olhos. Fui eu quem primeiro deu papel e tinta pra Ana rabiscar, quem comprou o primeiro livro, quem tentou ensinar alguma coisa de música (boa).

A Ana foi crescendo e meu trabalho e responsabilidades para com o mundo e com ela também. A correria cotidiana constrói labirintos e mesmo estando no mesmo espaço não conseguimos, verdadeiramente nos encontrar.

Eu estava tão preocupada com a escola, com a segurança e todas as coisas que a cercavam que deixei em segundo plano o principal: A Ana.

Essas férias nos trouxeram de volta uma pra outra. Me ví saboreando as tardes de toneladas de DVD's de desenho animado com pipoca, as brincadeiras esquecidas, a bagunça na sala, dormir juntas e ler uma história, os passeios, as festinhas de criança, cada sorriso e abraço.

A Ana iluminou os dias e a casa. Com isso não quero dizer que foi tudo um mar de rosas. Não, como toda criança ela dá trabalho, e como dá, posso jurar que até mais do que a grande maioria.

Só que a doçura dos momentos bons compensam tudo mesmo.

Esses dias tenho reencontrado muita gente, há tempos esquecida e que ressurgem, vidas prontas, pacote fechado, casamento, filhos. Via de regra eles me perguntam se eu já casei. Costumo dizer que quero encontrar soluções, não problemas, kkk. Eles continuam: Mas você não quer ter filhos, não sente falta.

A isso eu, com um sorriso guardado no canto da boca respondo sempre: Eu tenho A Ana!!!

Pra quem não conhece segue, ao som de Ana Cañas, ela, primeira e única: ANA!!!